Você sabe o que é Mentoring?

Mentoring é um processo que acontece em relacionamentos interpessoais. Um indivíduo que tem conhecimento e experiência em determinada área (mentor) utiliza voluntariamente essa bagagem para estimular o desenvolvimento de outro (mentorado). Esse apoio pode ocorrer em diversas dimensões: no domínio sobre uma determinada área de conhecimento ou atividade, na segurança emocional para pensar e agir ou na socialização do mentorado em um meio em que ele precisa atuar. Quando o relacionamento nasce da aproximação espontânea entre as pessoas, dizemos que se trata de Mentoring informal, espontâneo ou natural. Quando é estimulado e de alguma forma estruturado por uma organização, chamamos de Mentoring formal. Um aspecto fundamental para se entender um relacionamento de Mentoring organizacional é o que chamamos de Funções de Mentoring. Trata-se das atitudes e comportamentos do mentor. A origem do modelo dessas funções foi uma pesquisa realizada há quase 40 anos pela norte-americana Kathy Kram. Apesar do tempo decorrido, esse modelo ainda é o mais utilizado para nortear o entendimento sobre como atua o mentor organizacional. Após analisar muitos outros estudos e experimentar Mentoring na prática, cheguei a novos entendimentos e promovi ajustes na proposta original, inclusive para adaptá-la à nossa cultura. Mas a essência está mantida

Funções de trabalho e carreira. Contribuem para o mentorado crescer dentro da organização e progredir na carreira.

  • Orientação: O mentor fornece instruções, dicas, atalhos, recursos (como planos de ação) e desafios, para o mentorado adaptar-se ao contexto do trabalho e evoluir na direção dos seus objetivos.
  • Proteção: Principalmente no início do processo de Mentoring, o mentor contribui para que o mentorado não cometa erros técnicos ou de conduta e não se aventure a fazer coisas para as quais, segundo o mentor, ainda não está preparado. O mentorado, assim, afasta-se de situações que poderiam comprometer a sua imagem e o seu crescimento.
  • Exposição-e-visibilidade: À medida que o mentorado vai atingindo níveis mais elevados de desenvolvimento, vai revelando maior segurança. O mentor, então, passa a sugerir ou criar oportunidades para que o mentorado se apresente e demonstre competências perante superiores e pares.
  • Patrocínio: A evolução do mentorado chega a um ponto em que o mentor, dentro das suas possibilidades, passa a patrociná-lo. Por exemplo: defende para o mentorado posições e cargos de maior relevância ou funções mais importantes na organização.
  • Funções socioemocionais: Relacionam-se com os aspectos emocionais presentes na interação mentor-mentorado. Kram defende que essas funções ajudam a aprimorar no mentorado o senso de competência, identidade e eficiência em um papel profissional.
  • Aceitação: O mentor verdadeiro é capaz de aceitar a pessoa a quem está predisposto a ajudar. Acolhe o mentorado. Não faz pré-julgamentos. Trata de igual para igual, sem hierarquia. Deixa o mentorado à vontade para ser quem ele realmente é.
  • Escuta-e-aconselhamento: O mentor atua como uma “caixa de ressonância” para os anseios e preocupações do mentorado. Pratica a escuta ativa, reflexiva. Faz perguntas instigantes. Dá feedback. Desenvolve diálogos em que vai inserindo um processo de aconselhamento. Até compartilha casos pessoais e profissionais ocorridos em sua vida, como recurso para gerar reflexões no mentorado.
  • Confirmação: Na medida em que a relação vai ocorrendo, pode surgir no mentor uma admiração pelo mentorado ou mesmo uma identificação com ele. Assim, pode nascer a confirmação: ele passa a ter um interesse autêntico, genuíno, no sucesso do mentorado, sem almejar qualquer ganho com isso. É mais que a aceitação, que tem caráter geral. É um sentimento dirigido especificamente àquela pessoa. O mentor confirma o mentorado em seu contexto de trabalho e até mesmo em sua vida (sim, isso pode acontecer). O mentorado, por sua vez, pode perceber essa dedicação do mentor. A confiança entre eles vai aumentando. Esse processo contribui para o surgimento da “química” interpessoal.
  • Abertura para o relacionamento: Ao longo das sucessivas interações podem ocorrer variados graus de abertura. Sendo assim, o relacionamento pode evoluir, por exemplo, para uma condição apenas de “conhecidos”. Mas pode evoluir para um patamar de colegas. E pode chegar a diversos graus de amizade, até mesmo a uma amizade profunda.

Para que o Mentoring atinja resultados, não é imprescindível ocorrer a Confirmação e um alto grau de Abertura para o Relacionamento, mas a presença dessas duas funções contribui fortemente para o sucesso.

  • Função modelar: É o papel de modelo exercido pelo mentor. É uma função de espelhamento. O mentor exerce o papel de modelo, de exemplo para seu mentorado. O mentorado admira o saber que o mentor tem e quer assimilar esse conteúdo. Ele também pode admirar comportamentos do mentor e tentar se comportar da mesma maneira.

Fonte: Paulo Erlich - Consultor em Mentoring Organizacional, formador de Mentores e Coach.